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"Ao absorver mais diĂłxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez Ă  superfĂ­cie", esclarecem os cientistas (Foto: Stuart Rankin/Flickr/CC 2.0)

“Ao absorver mais diĂłxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez Ă  superfĂ­cie”, esclarecem os cientistas (Foto: Stuart Rankin/Flickr/CC 2.0)

O Painel Intergovernamental sobre as AlteraçÔes Climåticas (IPCC), criado pelas NaçÔes Unidas (ONU), apresentou nesta quarta-feira (25) um relatório dedicado aos efeitos das alteraçÔes climåticas nos oceanos e nas massas de gelo permanentes da Terra. A devastação dos mares e das regiÔes geladas devido às alteraçÔes climåticas é o grande problema apontado no documento.

É urgente priorizar “açÔes oportunas, ambiciosas e coordenadas” de forma a enfrentar estas mudanças “sem precedentes e duradouras” nos oceanos e na criosfera – regiĂ”es cobertas por gelo e neve permanentes e que constituem 10% da superfĂ­cie do planeta –, alerta o relatĂłrio.

Durante este sĂ©culo, os oceanos poderĂŁo sofrer alteraçÔes “sem precedentes”, com temperaturas mais altas, ĂĄgua mais ĂĄcida, menos oxigĂ©nio e condiçÔes alteradas de produção de recursos.

O gelo das regiĂ”es geladas, como o Ártico por exemplo, estĂŁo derretendo a um ritmo nunca antes registado e, em consequĂȘncia, o nĂ­vel dos oceanos estĂĄ elevando pondo em causa a vida de mais de milhĂ”es de pessoas, advertem os cientistas no documento.

O IPCC estabelece que “o oceano e a criosfera acolhem habitats Ășnicos e estĂŁo ligados a outros componentes do sistema climĂĄtico atravĂ©s de trocas globais de ĂĄgua, energia e carbono”.

A verdade Ă© que cerca de “670 milhĂ”es de pessoas nas regiĂ”es de alta montanha e 680 milhĂ”es de pessoas nas zonas costeiras mais baixas dependem diretamente destes sistemas”. Por exemplo, pelo menos “4 milhĂ”es de pessoas vivem permanentemente na regiĂŁo do Ártico” e serĂŁo afetadas com o degelo e a subida do nĂ­vel do mar.

Este relatĂłrio destaca, ainda, os benefĂ­cios de uma adaptação “ambiciosa e eficaz para o desenvolvimento sustentĂĄvel” e os “custos e riscos crescentes de uma ação adiada”.

Mais 1ÂșC

A temperatura global jĂĄ “atingiu 1.ÂșC acima do nĂ­vel prĂ©-industrial”, alertam os cientistas. Este aquecimento global deve-se Ă s “emissĂ”es passadas e atuais de gases de efeito de estufa” e jĂĄ hĂĄ provas “esmagadoras de que isso pode provocar profundas consequĂȘncias para os ecossistemas e as pessoas”.

Os cientistas do painel constataram que os oceanos estĂŁo aumentando a temperatura desde 1970, absorvendo “mais de 90% do calor em excesso no sistema climĂĄtico”, com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.

“Ao absorver mais diĂłxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez Ă  superfĂ­cie”, esclarecem os cientistas, considerando muito provĂĄvel que 20 a 30% do diĂłxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde 1980 foi parar no oceano e provocou uma perda de oxigĂ©nio desde a superfĂ­cie marinha atĂ© aos mil metros de profundidade.

O problema Ă© que com o degelo e a diminuição permanente das massas geladas ameaça libertar ainda mais diĂłxido de carbono e, assim, acelerar ainda mais esta devastação dos oceanos e da criosfera.O IPCC diz que esta subida do nĂ­vel mĂ©dio global dos oceanos foi acentuada no perĂ­odo de 2006 a 2015 em relação ao Ășltimo sĂ©culo e a um ritmo de 3,6 milĂ­metros por ano, atribuindo-a principalmente Ă s massas de gelo e glaciares que derreteram.

Na AntĂĄrtida, as perdas de gelo “triplicaram no perĂ­odo entre 2007 e 2016 em relação ao perĂ­odo 1997-2006”, o relatĂłrio conclui com “confiança alta” que “a causa dominante da subida do nĂ­vel mĂ©dio do mar desde 1970 tem origem humana”.

Os cientistas prevĂȘem que a subida do nĂ­vel dos oceanos atinja 15 milĂ­metros por ano em 2100 e “vĂĄrios centĂ­metros por ano no sĂ©culo XXII”. No entanto, nĂŁo descartam a possibilidade de a subida do mar ser uma realidade anual ainda neste sĂ©culo.

Os cientistas do painel dizem que uma “redução urgente das emissĂ”es de gases de efeito estufa” pode limitar e desacelerar as mudanças nos oceanos e na criosfera, assim como possivelmente preservar “os ecossistemas e os meios de subsistĂȘncia” que dependem dos oceanos.

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