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Se a ideia do produtor Ć© cultivar uma planta que ofereƧa mĆŗltiplas fontes de renda, o butiazeiro Ć© a escolha certa. Palmeira ornamental excelente para embelezar jardins de residĆŖncias, condomĆnios, propriedades rurais e espaƧos pĆŗblicos, como parques e praƧas, produz frutos que tĆŖm uso diversificado e possui folhas longas que podem ser aproveitadas para a elaboração de artesanatos, como bolsas, chapĆ©us, cestas e luminĆ”rias.
AlĆ©m disso, o butiazeiro Ć© muito fĆ”cil de plantar em qualquer regiĆ£o do paĆs. NĆ£o precisa de podas nem de adubação para crescer. Resistente a geadas e secas prolongadas, a palmeira necessita apenas que seja plantada em local a pleno sol. Seu desenvolvimento, no entanto, Ć© lento, exigindo paciĆŖncia para aguardar de seis a 15 anos para o inĆcio da primeira produção de butiĆ”s. DaĆ em diante, segue produzindo ao longo de centenas de anos, pois a planta tem capacidade para viver mais de dois sĆ©culos gerando frutos.
Conhecido tambĆ©m como butiĆ”-do-cerrado, coquinho-azedo, coquinho-do-abacaxi ou coco-vassoura, o butiazeiro pode ser plantado atĆ© em vaso, embora isso seja possĆvel somente nos primeiros anos de cultivo, jĆ” que se trata de uma palmeira que precisa de volume de solo para se desenvolver. Cada uma de suas 21 espĆ©cies botĆ¢nicas existentes tem caracterĆsticas próprias, sendo algumas com altura que vai alĆ©m de 20 metros, enquanto outras nĆ£o ultrapassam 1 metro.

No butiazeiro, tambĆ©m sĆ£o variados os tamanhos dos cachos e dos frutos, que podem ser mais doces ou mais Ć”cidos, com pouca ou bastante quantidade de fibras. Quando maduros, ainda apresentam diversos tons de cores: esbranquiƧado, amarelo, alaranjado, rosado, avermelhado, cor de vinho, esverdeado e marrom. Aves, pequenos mamĆferos e abelhas estĆ£o entre os animais que apreciam comer butiĆ”s e ajudam a disseminar a planta, que estĆ” ameaƧada de extinção.
Saborosos, os frutos do butiazeiro podem ser consumidos in natura e usados na preparação de alimentos e bebidas. Ricos em vitamina C, potÔssio e carotenoides, são ótimos para fazer sucos, licores, cachaças artesanais, sorvetes, mousses, geleias e bolos, além de servirem de ingrediente de tortas, doces e bombons. Em pratos salgados, o butiÔ vai bem em molhos para carnes vermelhas e frutos do mar e como recheio de pastéis e crepes, misturado com carne, frango e queijo.
Associado Ć cultura regional, o butiĆ” tem no sul do paĆs um importante mercado consumidor, sendo cada vez mais difundido e valorizado na elaboração de receitas locais. OriginĆ”rio do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, a palmeira evoluiu por muitos anos em solo brasileiro, favorecendo sua adaptação Ć s condiƧƵes de solo e clima, sobretudo dos biomas Pampa, Mata AtlĆ¢ntica e Cerrado. Registros arqueológicos indicam que o consumo do butiĆ” ocorria hĆ” mais de 8 mil anos.
Consultoria: Rosa LĆa Barbieri, pesquisadora da Embrapa Recursos GenĆ©ticos e Biotecnologia, Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W5 Norte (final), Caixa Postal 02372, CEP 70770-917, BrasĆlia (DF), tel. (61) 3448-4700, www.embrapa.br/fale-conosco.
Onde comprar: sementes podem ser obtidas dos coquinhos adquiridos em feiras e as mudas, compradas em jardins botânicos, lojas de paisagismo e outros estabelecimentos idÓneos.
Mais informações: cin enoresas de assistência técnica e extensão rural da região e Jardim Botânico de Porto Alegre (RS), tel. (51) 3320-2028
RAIO-X
Solo:Ā pode ser arenoso, pedregoso e argiloso, desde que bem drenado
Clima: tolera geadas e secas prolongadas
Ćrea MĆnima: pode ser plantado em vaso nos primeiros anos
Colheita: após 6 anosde iniciado o plantio
Custo: o preƧo da muda varia de R$ 10 a R$ 25, de acordo com o tamanho
MĆ£os Ć obra
InĆcio: A propagação Ć© realizada, exclusivamente, por meio das sementes, que ficam dentro dos coquinhos, os quais podem ser adquiridos em feiras de rua, bancas de mercados municipais e comĆ©rcio de agricultura familiar. Podem tambĆ©m ser compradas mudas prontas em jardins botĆ¢nicos, viveiristas, lojas de paisagismo e outros estabelecimentos do ramo. A aquisição de butiazeiros em estĆ”gio adiantado de desenvolvimento Ć© uma opção para chegar mais rĆ”pido Ć primeira produção.
Muda: Se faz a partir da retirada dos coquinhos que ficam envolvidos pela polpa do butiĆ”. Reserve-os por uma a duas semanas, atĆ© ficarem secos completamente. Em seguida, coloque-os no congelador por mais uma semana, para que a baixa temperatura promova a germinação dos coquinhos. A partir daĆ, jĆ” podem ser destinados para o plantio. PorĆ©m, para assegurar que as amĆŖndoas existentes dentro do coquinho nĆ£o estejam danificadas, a dica Ć© extraĆ-las e plantĆ”-las cada uma em recipientes pequenos ā vaso ou saco plĆ”stico com furo ā, com trĆŖs partes de areia e uma de adubo orgĆ¢nico. Abra com o dedo um espaƧo de 2 centĆmetros, molhe um pouco e acomode a semente. Mantenha o vaso em local iluminado e o substrato Ćŗmido, sem encharcĆ”-lo. Em quatro meses, com uma folha de 10 centĆmetros, transfira a planta para um recipiente maior. Leve para o terreno aberto apenas quando as folhas crescerem bastante e comeƧarem a abrir.
Ambiente:Ā Nativo do Brasil, o butiazeiro tem boa adaptação ao clima do paĆs, sendo que suporta as temperaturas mais frias da RegiĆ£o Sul e as mais quentes que predominam no Centro-Oeste e Nordeste. Para a produção de frutos, Ć© necessĆ”rio que a planta esteja em local onde hĆ” incidĆŖncia de raios solares durante o dia inteiro.
Plantio: Sem necessidade de muitos nutrientes e fertilização, a palmeira tem espécies adaptadas a terrenos arenosos, pedregosos e argilosos. A única restrição do butiazeiro é quanto aos solos permanentemente alagados, os quais não tolera.
EspaƧamento: Recomendado Ć© de, no mĆnimo, 4 metros entre plantas. As covas, por sua vez, devem ser fundas o suficiente para acomodar as raĆzes da muda. TambĆ©m Ć© importante lembrar de nĆ£o cobrir, com o substrato utilizado, a parte arredondada da base das folhas, para evitar seu apodrecimento.
Cuidados: Evite realizar poda, jĆ” que a planta nĆ£o precisa. O corte pode ser uma porta de entrada para doenƧas que prejudicam a palmeira, podendo inclusive matĆ”-las. NĆ£o esqueƧa de regar bem o butiazeiro após o plantio, prĆ”tica que deve ser repetida a cada 20 dias, caso nĆ£o ocorram chuvas no perĆodo.
Produção: A colheita de frutos com boa qualidade depende da polinização entre plantas diferentes feita por insetos, apesar de cada butiazeiro contar com flores masculinas e femininas. As inflorescências surgem na primavera, com muitas flores pequenas, que atraem principalmente abelhas para realizar a polinização. Da fecundação nascem frutos com polpa carnosa e fibrosa, contendo de uma a três sementes.
(Publicado originalmente na edição 403 da Revista Globo Rural, em maio de 2019)
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